sábado, 3 de agosto de 2013

COMPLEXO DE RÊMORA


Já reparou que debaixo dos tubarões aparecem pequenos peixinhos? São as rêmoras. A rêmora se agarra ao corpo do tubarão por uma nadadeira dorsal tipo uma ventosa. Além de ser transportada em segurança pelo tubarão, a rêmora se alimenta dos restos de sua alimentação.

A questão é que existem rêmoras humanas em os setores da sociedade e triste é encontrá-los nas igrejas. As rêmoras eclesiásticas não têm a autoridade e imponência do tubarão eclesiástico. Mas, por causa do tubarão elas são temidas. Por causa do tubarão elas são respeitadas. Por causa do tubarão elas se sentem seguras em seu comportamento. Elas não têm poder e respeitabilidade em si mesmas, mas sim por que estão ligadas ao tubarão.

E elas sabem disso.

Por isso fazem de tudo para se manterem vinculadas ao tubarão seja pelo reforço dos laços de família (nepotismo), sejam por homenagens e referências excessivas (culto ao líder), palavras laudatórias incessantes (adulação ou puxassaquismo), denegrimento da imagem de possíveis concorrentes a rêmoras (ciúmes e inveja). Uma das características marcantes das rêmoras eclesiásticas é usar o nome do tubarão (muitas vezes sem ele saber) para alcançar seus objetivos e defender a honra e glória do tubarão a todo custo, mesmo da própria consciência para com Deus. Afinal de contas é necessário à rêmora estar apegada a um tubarão poderoso para que ela continue respeitavelmente temida e quiçá poderosa.
Minha oração é que Deus me livre de ser uma rêmora. Tenho falhas, peco, sou muito limitado. Jamais na minha vida quero esse tipo de hipocrisia laureada com "autoridade espiritual" e reforçada por uma subserviência que estrangula a consciência.

 "Ninguém quer", pode-se perguntar.

O problema é que o complexo de rêmora vem camuflado com submissão à autoridade eclesiástica e pelo pretenso agir em seu nome. Ou seja: vem camuflado de suposta espiritualidade e do chamado se "posicionar como você é em Deus". A má compreensão de nossa vocação nos leva a defender títulos e não a exercer o ministério. Daí pessoas adoecerem na alma por que não são chamadas pelos títulos ministeriais. Daí adoecerem se não forem honradas como liderança.

O Pentateuco mostra como Moisés foi muito desonrado como liderança pelos homens, mas muito honrado por Deus. Por que então as carteiradas? Por que então o uso de um sobrenome? Deus não é suficiente para vindicar a autoridade que ele concedeu?

Honrar quem nos preside (lidera) no Senhor é um mandamento bíblico (1Ts 5.12,13), uma experiência saudável que faz parta da vida cristã. Mas honrar pela “honra” de honrar, para seguir o preceito pós-modernista “Quem não é visto não é lembrado”, isso não tem nada a ver com a mensagem do Novo Testamento. Porque Jesus falou o seguinte: "Finalmente o reino dos céus é semelhante a uma rede, que foi lançada no mar, e apanhou peixes de toda a espécie. Depois de cheia, os pescadores puxaram-na para a praia; e sentados, puseram os bons em cestos, mas deitaram fora os ruins. Assim será no fim do mundo: sairão os anjos e separarão os maus dentre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá o choro e o ranger de dentes." (Mateus 13:45-50, Tradução Brasileira).

Eu quero ser encontrado como um peixe bom.

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